Hoje eu tinha que estar só o pó, afinal quase não dormi. Mas só tinha essa oportunidade para conhecer Montevideo (apesar de passar duas noites na cidade, não a conhecia ainda! - risos) e estava empolgada!
Deixamos as malas na rodoviária por duas horas gratuitas e fomos para a Plaza Independencia, que o Victor por sinal já tinha conhecido. Tiramos algumas fotos, entramos no Teatro Solis mas não fizemos a visita guiada porque eram 45 min e tinhamos que pegar as malas para não pagarmos.
Voltamos para a rodoviária e esperamos mais três horas para pegarmos o ônibus. Nesse tempo almoçamos, vimos todas as lojas de lá, procurei o alfajor agua helada sem sucesso, e fizemos umas comprinhas no supermercado para gastar os 230 pesos uruguaios que nos restavam.
Hoje, e pela primeira vez, esse meu espírito de economista me gerou prejuizo e burrice porque podia ter pago para as malas ficarem na rodoviária e conhecido melhor Montevideo, ter feito a visita guiada no Teatro Solis e pago 40 pesos uruguaios cada um, e por fim, ter entrado na Indian Emporium que vi quando estava no ônibus indo para rodoviária pegar as malas e comprado o bendito vestido (é, tinha lá em Montevideo também!).
É...vivendo e aprendendo!
Chegamos em Colonia Del Sacramento, comemos o lanchinho que haviamos comprado em Montevideo e fizemos o check in às 19:30 no Buque para voltar para Buenos Aires. A volta no Buque foi de novo tudo de bom, e desse vez pudemos pegar o por do sol e ver a lua e as estrelas no lado externo do buque. O Victor tirou fotos e filmou, já que na ida a bateria da câmera tinha acabado...
Chegamos em Buenos Aires umas 22:00 e a programação era pegar no Terminal Retiro um outro ônibus para Mar Del Plata, e de manhã encontrariamos lá a Nathy e o Pablo. O taxista que nos levou até o terminal assim que saimos do buque teve o poder de abaixar a minha vibração para muito baixa, nos tratando mal e dando uma de esperto.
Tivemos que deixar as malas nos bancos porque ele não saiu para abrir o porta mala, ficou nos chingando em espanhol (é, a gente entendeu) e depois quis cobrar 5 pesos a mais pelas malas.
Não quero julgar aqui que os argentinos são grossos, porque em todo esse tempo teve mais pessoas boas, receptivas, que nos dão informações de forma prestativa, que querem ajudar do que os que tratam mal. Parece que em nossa vida temos o costume de só focar nas coisas ruins, negativas ao invés das coisas boas. E para evitar isso digo que sim, os argentinos são gente boa.
Ah! E os uruguaios são mais ainda! É realmente verdade o que dizem na internet, são super solícitos, agradáveis, simpáticos e teve duas vezes que quando perguntamos a localização, nos levaram até a porta mesmo estando a nossa vista o local.
No Terminal Retiro para comprarmos as passagens para Mar Del Plata, outro drama. Estava TUDO LOTADO. Nenhuma passagenzinha disponível para os horários de dez e meia, meia noite. "E agora? Onde dormiremos? O que faremos? Para onde iremos?" Eram essas as nossas angústias. Estávamos com fome, cansados, com sono...Teve um momento que até a passagem das seis e trinta da manhã se esgotou. Só as oito da manhã agora. E são cinco horas e meia de viagem de Buenos para Mar Del Plata! Iamos perder o dia todo! Compensa ou não compensa? Mas iamos de qualquer jeito, porque pensamos na Nathy. Pensamos que só tinha mais esse final de semana para vê-la, porque iamos embora na quinta-feira.Pensamos em ligar para o último hotel que dormimos, mas como ligar? Só sabíamos usar o locutório e não os "orelhões" (não sei como se chama lá). E se não tiver disponível, dormiremos aqui?
Comemos e fomos pela 45ª vez em um dos inúmeros guichês das passagens sei lá porque, e um milagre aconteceu. Não sei se posso chamar de milagre, porque o nome mais correto seria corrupção mesmo. Nós, corruptos, pela primeira vez, e na argentina.
O que vou contar aqui não acho correto, não faria de novo e não queria que servisse de exemplo para ninguém (mas tudo bem, vai lá, você tem o seu livre arbítrio. Toda ação, uma reação não esqueçamos).
Um tentativa de comunicação foi iniciada pelo atendente, um rapaz muito simpático e gente boa, daquelas pessoas que parece sempre disposta a ajudar o outro. Perguntou se nós iamos ficar ali pela rodoviária, e o Victor respondeu que iamos tentar ir para um hotel, e eu respondi que bem provavelmente que iamos ficar por ali. Ele começou a falar um monte de coisas que não entendemos, falava-se em "ratinho", "ratito", "rato"... Quando nos demos conta, o motorista estava do nosso lado no guiche pedindo para eu guardar as "platas" e para seguir ele.
Eu não estava entendendo nada! Pelo pouco que entendi, ele (o atendente) disse que se alguém desistisse do lugar ele colocaria a gente, então eu estava lá, com o dinheiro na mão, não era para eu pagar normalmente caso alguém desistisse? Porque o dinheiro não tinha que ser recebido no guichê?
A ficha foi caindo aos poucos. Estavamos na frente do ônibus e o motorista conversando com mais três pessoas. E ali, fui ficando nervosa, tipico das pessoas quando estão fazendo algo errado. Vem o motorista e diz que só tem um lugar. Nada feito. Eu e o Victor somos um só, imagina quando se trata de irmos para cidades diferentes em outro país! Outra tentativa foi feita pela parte do motorista, ai entendemos que ele estava perguntando se podíamos ir os dois em um só assento. Claro! o motorista falou para darmos a bagagem para um outro homem e o Victor entendeu que o pagamento tinha que ser feito ao homem que guarda a bagagem. Ele disse: "cien, ciento e cinquenta, quanto quiseres" Caraca! Como assim? Quanto a gente quiser pagar? Ainda vamos pagar barato? Pensando assim, ao invés de dar 100 pesos, demos 150. E subimos para o ônibus.
Assim que ele (o ônibus) sai, minutos depois vem um outro homem fazer outra cobrança. Como assim? Não era aquele cara? Nós entendemos que era para pagar para esse segundo homem duas vezes 96 pesos. Quando damos 200 pesos, ele torna a repetir, daí entendemos: 296 pesos, o preço da passagem que pagaríamos normalmente. Pronto! 450 pesos foi o preço que pagamos (com perdão do trocadilho) por agirmos incorretamente nesse mundo incorreto. O cara da mala deve ter ficado muito feliz com a nossa burrice...
Dormimos muito bem a madrugada inteira, nós dois em um só assento, tamanho era o nosso cansaço. Fico pensando se o prejuizo que tivemos já foi a consequência do nosso ato ou se ainda "vem bomba" pela frente. Me considero uma pessoa muito feliz, e justamente por tentar agir de forma correta, me esforçando para "fazer aquilo que gostaria que os fizessem". E sei que os nossos sofrimentos vêm devido ao sofrimento que causamos aos outros, ao universo. O que fiz(emos) não foi correto, e não sei dizer que se estivéssemos entendido tudo desde o começo, se tivesse dado tempo para pensar nós iriamos entrar no esquema. Mas acho que sim, porque não tinhamos para onde ir. E isso não justifica de forma alguma esse ato. Agora, se estivessemos no Brasil, em um local que nos sentissemos seguros, claro que não consentiriamos com isso (mas de novo não justifica de forma alguma esse ato).
Enfim, erramos, não foi legal o que fizemos, admitimos nosso erro e continuamos nosso esforço rumo ao caminho do bem, caminho esse que pelo que percebi é bem difícil nesse mundo onde o mal ainda prevalece. O caminho reto é sempre o mais difícil, mas com certeza com mais méritos, visto o esforço feito.
Droga, se fosse Chico Xavier, certeza que ele dormiria com duas grandes malas na rodoviária de um país desconhecido...(risos!)
Obs.: Mas que essa história é boa...ah isso é! E eu adoro histórias que fazem rir para colecionar essa minha vida! =D
Dividir um pouco de si. Compartilhar. Expressar-se. Trazer para perto de si aquele que está longe. Talvez sejam esses os objetivos desse espaço, que procura relatar a vivência de 15 dias e noites fora do Brasil. Não espere grandes dicas, onde andar, o que fazer, quanto gastar nos locais em que irei passar... No entanto, quando se trata de experiências pessoais, de subjetividade...tudo isso aparece aqui e agora. Preparados para colocarem "os óculos" da Luísa?! Então vamos lá! Boa leitura!
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